O mês que sacudiu Wall Street

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

O mês que sacudiu Wall Street

Mensagem por Mauricio Katayama em Qua Out 01, 2008 5:50 am

O mês que sacudiu Wall Street e o mercado global



Por: Gustavo Kahil
30/09/08 - 20h30
InfoMoney

SÃO PAULO - Foram 30 dias de incertezas, fatos nunca antes imaginados e respostas inéditas dos reguladores e bancos centrais em todo o mundo. Assim foi setembro de 2008, um mês que sacudiu Wall Street e que talvez, no futuro, mereça um capítulo separado na História do mercado financeiro internacional.

Desemprego nos EUA em nível preocupante
01/09 - Ibovespa: 55.680 pontos, Dólar: R$ 1,646
05/09 - Ibovespa: 51.639 pontos, Dólar: R$ 1,720

"Enquanto os mercados continuam a mostrar sinais de fragilidade, as preocupações com a perspectiva para a economia e as incertezas relacionadas ganham proeminência" - BIS (Banco de Compensações Internacionais) em relatório trimestral.

O primeiro dia de setembro foi atípico. A ausência de Wall Street, por ocasião do Dia do Trabalho, deixou os mercados sem referência. O dia fechou com queda nas bolsas ao redor do mundo. Enquanto isso, conversas entre o banco de investimentos Lehman Brothers e potenciais compradores desenrolavam.

No dia 4 de setembro o índice Bovespa revela o primeiro recorde negativo. Aos 51.408 pontos, a bolsa atinge o menor nível do ano. O dia seguinte, na primeira sexta-feira do mês, a economia norte-americana recebe a notícia da perda de 84 mil postos de trabalho no mês de agosto. O desemprego atinge a maior taxa em duas décadas.

"O mercado interbancário global está fechado e não haverá oferta enquanto a Libor ou outras ferramentas de funding caiam", Merrill Lynch em relatório de 30/09

Fannie Mae e Freddie Mac resgatadas
08/09 - Ibovespa: 51.639 pontos, Dólar: R$ 1,720
12/09 - Ibovespa: 52.392 pontos, Dólar: R$ 1,781

"Nossa economia e nossos mercados não se recuperarão enquanto a maior parte desta correção não ficar para trás" - Henry Paulson, secretário do Tesouro norte-americano, em nota.

Após meses de intensa especulação e polêmica, o governo norte-americano decidiu assumir o controle das agências de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, que juntas são responsáveis por cerca de metade do volume de crédito total destinado à aquisição de imóveis nos Estados Unidos. Eufóricos, analistas do mercado chegaram a apontar a medida como um primeiro sinal de que a crise subprime caminharia para um final. As medidas reduzem "tremendamente as incertezas nos mercados financeiros, promovem a liquidez no mercado imobiliário e provêm grande disponibilidade de financiamentos hipotecários à frente", disseram analistas à época.

Poucos economistas, ou nenhum, entretanto, poderiam imaginar a escalada dos eventos que viriam até o final do mês. Um ambiente de menor incerteza dominou os mercados por alguns dias e, além disso, o debate sobre o "risco moral" da ajuda governamental ao setor financeiro ganhava corpo. Rumores sobre uma possível venda do Lehman Brothers e especulações sobre o anúncio de baixas contábeis do Washington Mutual circulavam nos mercados. Algumas sessões adiante, ambos teriam um final trágico.

Bancos de investimentos começam a cair
15/09 - Ibovespa: 52.392 pontos, Dólar: R$ 1,781
19/09 - Ibovespa: 53.055 pontos, Dólar: R$ 1,830

Mercados sofrem ao redor do mundo*
- Nasdaq 100
2.082 pontos (-12,04%)

- S&P 500
1.164 pontos (-9,20%)

- CAC 40
4.032 pontos (-10,05%)

- Ibovespa
49.541 pontos (-14,34%)

- Nikkei
11.260 pontos (-11,02%)

- Dow Jones
10.850 pontos (-6,00%)

- DAX 30
5.831 pontos (-9,21%)

- FTSE 100
4.902 pontos (-13,02%)

- Merval
1.598 pontos (-10,07%)

- Shanghai Composite
18.016 pontos (-15,27%)

*Variações para o mês de setembro
"Não há espaço suficiente na primeira página dos jornais do país para todas as notícias de hoje (15/09)" - Consultoria First Trust Advisors, em relatório.

A terceira semana do mês começa com mais um fato histórico. Depois de lutar por um comprador, o banco de investimentos Lehman Brothers choca o mercado com o pedido de concordata. Ao contrário do ocorrido com o banco Bear Stearns em março, as autoridades norte-americanas negaram ajuda. Ademais, a Merrill Lynch foi comprada pelo Bank of America por US$ 50 bilhões. Símbolos de Wall Street, os bancos de investimentos começam a sumir.

Em mais um dia histórico, as bolsas ao redor do mundo presenciaram o pior dia desde 11 de setembro de 2001. No dia seguinte, em outra medida espetacular, o governo norte-americano anuncia um plano emergencial de resgate da AIG (American International Group), maior seguradora dos EUA.

Na quinta-feira, com mais uma ação conjunta dos bancos centrais e, na sexta-feira, as medidas para combater as vendas a descoberto em ações do setor financeiro nos EUA e no Reino Unido, fizeram as bolsas disparar. Além disso, no Brasil, o Banco Central anuncia leilões de vendas de dólares de US$ 500 milhões, a primeira operação deste tipo em cinco anos.

Inicia o debate sobre o plano de US$ 700 bilhões
22/09 - Ibovespa: 53.055 pontos, Dólar: R$ 1,830
26/09 - Ibovespa: 50.782 pontos, Dólar: R$ 1,854

"Este programa visa atacar, de forma fundamental e abrangente, as raízes das causas de stress em nosso mercado financeiro, removendo ativos podres do nosso sistema", Henry Paulson, em nota.

Ainda no final de semana, Henry Paulson revela o plano de resgate de até US$ 700 bilhões para ajudar o setor financeiro. O programa prevê a compra, pelo governo, dos ativos podres dos bancos, para "limpar" o sistema e resgatar a confiança dos investidores. Pela manhã da segunda-feira o mercado recebe o anúncio de que os últimos remanescentes entre os grandes bancos de investimento nos Estados Unidos, Morgan Stanley e Goldman Sachs transformaram seu modelo de negócios, passando a atuar como holdings financeiras, reguladas pelo Federal Reserve.

Em um sinal claro de que a crise também aportou no Brasil, a Sadia revela que operações com derivativos cambiais levaram a perdas de R$ 760 milhões, reflexo das extremas variações na cotação da moeda norte-americana. Além disso, a Aracruz também disse que as perdas cambiais poderão exceder os limites previstos para o trimestre. A semana encerra com o mercado cético em relação à aprovação do plano anti-crise, depois de acaloradas discussões entre os partidos Republicano e Democrata.

Plano é derrubado no Congresso; bolsas despencam
29/09 - Ibovespa: 50.782 pontos, Dólar: R$ 1,854
30/09 - Ibovespa: 49.541 pontos, Dólar: R$ 1,906

"Rejeição do pacote foi decepcionante" - Henry Paulson, em coletiva de imprensa.

Depois de uma aguda queda nas ações, o governo dos EUA estatizou as agências Freddie Mac (foto) e Fannie Mae.
Depois de uma manhã em que os mercados apostavam na aprovação do plano no Congresso norte-americano, a despeito das incertezas ainda presentes no mercado sobre a efetividade do programa, os partidos Republicano e Democrata surpreendem com a reprovação do texto de 110 páginas do "Emergency Economic Stabilization Act of 2008", "Ato de Estabilização Econômica de 2008", na tradução livre. A resposta dos mercados foi imediata e as bolsas mergulharam em uma forte queda.

Nos EUA, os mercados apresentaram a maior queda desde o "crash" de 1987. No Brasil, o Ibovespa chegou a cair mais de 10%, acionando o sistema "Circuit Breaker", que paralisou o mercado por 30 minutos. O índice encerrou o dia 29 de setembro em baixa de 9,36%, negociado a 46.028 pontos. O dólar comercial fechou vendido a R$ 1,965, com alta de 5,99%.

Setembro chega ao final como um mês que marcou o mercado financeiro. A crise, entretanto, se estenderá por outubro e só os 31 dias deste mês poderão dizer se será possível prever algum sinal de fim para a crise de crédito subprime.

Comentário do Maurício: Esse post é uma verdadeira aula de história do Infomoney. É pra guardar e relê-lo daqui a alguns anos.

_________________
"Informação + Educação = Conhecimento" - Robert Kiyosaki
Fórum Clube do Pai Rico - http://www.clubedopairico.com.br/forum/index.php
avatar
Mauricio Katayama
Administrador
Administrador

Masculino Número de Mensagens : 803
Data de inscrição : 25/07/2008

Ver perfil do usuário http://investidores.forum3.info

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O mês que sacudiu Wall Street

Mensagem por D.magliano em Qua Out 01, 2008 7:30 am

Experiencia!
Lembro-me de quando comecei a estudar sobre IF e investimentos. Lia os textos referindo-se a outras crises... É algo muito estranho.

A sensação é um misto de agonia e ansiedade. Agonia pelas perdas, ansiedade pelo fim da crise e possibilidade de compra com lucro!
Estava para investir em renda fixa, ja não sei mais o que farei com o dinheiro... A bolsa começa a me parecer uma otima opção. Resta ver até quando essa crise vai.

Como disseram em outro topico. Acho que ainda tem gente balançando, que vai cair, assim acho tambem que os preços caem um pouco mais.

Abç
Magliano
avatar
D.magliano
Investidor em Treinamento
Investidor em Treinamento

Masculino Número de Mensagens : 58
Localização : Rio de Janeiro
Data de inscrição : 10/09/2008

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O mês que sacudiu Wall Street

Mensagem por PapaiSmurf em Qua Out 01, 2008 4:32 pm

De fato, um artigo importantissimo e muito itneressante... uma aula mesmo sobre um mês histórico...

_________________
Why so serious?
Let's put a smile on that face!
avatar
PapaiSmurf
Co-Administrador
Co-Administrador

Masculino Número de Mensagens : 440
Idade : 35
Localização : São Paulo - SP
Data de inscrição : 28/07/2008

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O mês que sacudiu Wall Street

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum